Espaço mantém viva a memória de Zé Peixe

Às margens do rio Sergipe, o busto de bronze de Zé Peixe reluz e cumprimenta os que chegam ao antigo Terminal Hidroviário. Um dos grandes ícones da cultura popular – reconhecido pela sua simplicidade e atos de grandeza e heroísmo [foi responsável por inúmeros salvamentos, tendo destaque para a ação que resgatou a tripulação do navio Mercury, em chamas, no alto mar, na década de 1970] – que atuou por quase toda a vida como prático marítimo, permanece vivo no imaginário de locais e turistas e tem sua história contada no Espaço Cultural Zé Peixe, mantido pelo Governo do Estado, através da Secretaria da Mulher, da Inclusão e Assistência Social, do Trabalho, dos Direitos Humanos e Juventude (Seidh).
Às margens do rio Sergipe, o busto de bronze de Zé Peixe reluz e cumprimenta os que chegam ao antigo Terminal Hidroviário/ Foto: André Moreira/ASN
Às margens do rio Sergipe, o busto de bronze de Zé Peixe reluz e cumprimenta os que chegam ao antigo Terminal Hidroviário/ Foto: André Moreira/ASN
“O espaço tem a história dele e a figura de Zé Peixe tem tudo a ver com sergipanidade. Quem é daqui e conhece a história, tem muito orgulho dele”, diz a administradora da loja de doces caseiros Maria do Carmo Bezerra.
O chef de cozinha Eric Miller, proprietário de um dos restaurantes localizados no centro cultural, diz que aliar sua marca ao nome e história de Zé Peixe agrega mais valor ao seu empreendimento. “Os turistas gostam demais de chegar aqui e ver como nós valorizamos um filho da nossa terra dessa maneira. Tudo aqui foi pensado para homenagear a Zé Peixe, que foi um dos nossos heróis, um homem de feitos maravilhosos”.
Frequentado por locais e turistas, o restaurante de Miller faz referência ao universo marítimo de Zé Peixe nos mínimos detalhes, do cardápio aos uniformes dos funcionários. “O turista procura muito e eu montei meu cardápio usando coisas do mar, temos ostras, aratu, e outras coisas que convergem com o universo marítimo do nosso grande Zé Peixe. A nossa farda remete à da marinha, tudo que montamos de decoração fizemos com motivo náutico para homenageá-lo”, discorre o chef.
De acordo com Marcele Figueiredo, gerente do restaurante Tototó, a maior parte dos turistas é oriunda do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília e corresponde a 60% dos visitantes. “Aqui é bem frequentado pelos locais, mas o nosso maior público mesmo é de turistas. Todas as pessoas que vêm aqui, independente de onde são, falam e procuram saber mais sobre Zé Peixe. Ele foi uma figura muito querida no estado. Um homem ímpar, que fez coisas que mais ninguém foi capaz de fazer. Ele era mesmo um peixe”, declara.
Para o diretor do espaço, Paulo Mendonça, receber o convite de gerenciar o centro foi uma honra, já que ele é amigo da família de Zé. “É motivo de grande orgulho poder ajudar a manter viva a memória de Zé Peixe. Umas das coisas que mais me impressionava nele, além do conhecimento que ele tinha, era a simplicidade que regeu a sua vida”, lembra.
Zé Peixe
“O rio sempre foi um elemento presente na vida do meu tio”, diz a sobrinha de Zé Peixe e historiadora, Ana Luíza Nunes Shunk. A mãe dela – a única dos cinco irmãos de Zé a também levar o apelido de “peixe” e acompanhá-lo nas aventuras de infância dentro d’água, Rita – comenta que foi o irmão mais velho que a ensinou a nadar. “Eu era tão pequena quando ele me ensinou, que desconheço a época em que não sabia nadar”.
A paixão dos irmãos pela água começou na casa da família, localizada na avenida Ivo do Prado, de frente para o rio Sergipe, onde nasceu a prole de Vectúria Martins, professora catedrática de matemática da Escola Normal, e de Nicanor Nunes Ribeiro, funcionário público [ que chegou a ocupar diversos cargos na Administração do Estado, dentre eles o de secretário durante o governo de General Maynard].
O terceiro de seis filhos, José Martins Ribeiro Nunes, o Zé Peixe, nasceu em 05 de janeiro de 1927, e desde a mais tenra idade mostrava desenvoltura a nadar. Aos 11 anos já era um exímio nadador e aos 20 foi contratado, pela Capitania dos Portos, para atuar como prático, conduzindo embarcações que entravam e saíam de Aracaju.
“Não tinha ninguém de mar aqui. Não havia essa avenida. Era a prainha e a água batia na porta de casa. Quando eu era pequena não tinha rua, apenas um cais. A água entrava por debaixo dele e fazia uma prainha aí na frente, onde a gente tomava banho. O rio tinha um fluxo grande de barcos. O transporte era feito através dele ou trem, ou seja, o rio tinha um papel muito importe na vida de todos”, recorda Rita.
Zé Peixe, ao contrário de outros práticos, conduzia as embarcações sem barco de apoio, ou seja, ele que nadava até os navios. E foi a maneira inusitada de desempenhar o seu trabalho que o tornou reconhecido no Brasil e no exterior.
O prático ganhou destaque em diversas publicações [jornais, revistas e reportagens televisivas] e serviu de inspiração para músicas, livro infantil, peça teatral e exposições. Ana Luiza conta que a “fama” do tio sempre foi vista com naturalidade. “Lembro que paravam ônibus de excursão aqui na porta, mas aquilo nunca mexeu com o meu tio, ele continuou sendo a mesma pessoa simples”.
“Ele tinha um coração muito bom, era muito honesto, muito direito, não tem ninguém que diga nada negativo sobre Zé”, complementa a irmã.
Espaço Zé Peixe
Inaugurado em 19 de maio de 2015, o Espaço Cultural conta com o Memorial Zé Peixe, com painéis do artista plástico Elias Santos, além de um busto de bronze do homenageado, peças e fotografias, dois restaurantes, loja de artesanato e de doces caseiros, uma unidade do Núcleo de Apoio ao Trabalho (NAT), Ponto Banese e acessibilidade garantida para pessoas com deficiência.
Informações da Agência Sergipe de Noticias.

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